Internet das coisas e uma decisão: conveniência ou privacidade

Amazon-EchoProfusão de dispositivos de fala assistida, como Amazon Echo, causa temor de perda de privacidade em troca de conveniência

Como muitas adolescentes, Aanya Nigam partilha suas localizações, atividades e pensamentos no Tiwtter, no Instagram e outras rdes sociais sem medo. Mas a atitude descuidada se tornou uma paranoia alguns meses atrás após sua mãe comprar o Echo, um assistente digital da Amazon que pode ser instalado em uma residência ou escritório para ouvir diversas demandas, como um pedido de música, de que o resultado de um jogo ou a previsão do tempo sejam informados ou mesmo para que um livro seja lido em voz alta.

Após usar o dispositivo conectado à internet por dois meses, Aanya, de 16 anos, começou a desconfiar que o Amazon Echo estava espionando suas conversas em casa. A jovem ela desligou o dispositivo e o escondeu em um lugar onde sua mãe, Anjana Agarwal, ainda não conseguiu encontrar.

“Eu acho que há uma diferença entre decidir partilhar alguma coisa e ter alguma coisa caputrada por algo que você não sabe quando está ouvindo ou não”, disse Anjana sobre os sentimentos de sua filha.

Conveniências x privacidade

O Echo, um dispositivo cilíndrico de US$ 180 que começou a ser vendido em julho após meses de testes públicos, é a última novidade em tecnologia de reconhecimento de voz que está permitindo que máquinas gravem trechos de conversas que são analisadas e guardadas por companhias que prometem tornar melhor as vidas de seus consumidores.

Outra formas cada vez mais populares de serviços de reconhecimento de voz incluem os assistentes de dispositivos móveis Siri, da Apple, o Cortana, da Microsoft, e o Ok Google, que permite ao utilizador falar com o mecanismo de busca da empresa homônima. Comandos falados também podem ser usados para encontrar algo para assistir em algumas TVs e uma Barbie que será lançada brevemente inclui um microfone conectado à internet para ouvir o que está sendo dito.

Essas inovações vão confrontar as pessoas com uma escolha que opõe a conveniência à privacidade no momento em que elas têm de decidir se abrem ou não outra fresta digital para suas vidas em troca de um crescente número de dispositivos equipados com microfones e câmeras conectados à internet.

O fenômeno, chamado de Internet das Coisas, promete levar a uma era de casas automatizadas equipadas com fechaduras, termostatos, sistemas de entretenimento e serviçais – como o Echo – que respondem a palavras pronunciadas.

Ao mesmo tempo, está levantando o espectro de microfones conectados à internet sendo secretamente usados como grampos, seja por uma companhia que oferece um serviço digital, um funcionário do governo com uma determinação judicial ou intrusos que eventualmente tomem o controle do equipamento.

“Estamos na trajetória de um futuro carregado de apps e equipamentos de fala assistida “, diz o analista da Forrester Research Fatemeh Khatibloo. “Isso vai exigir encontrar a sintonia fina entre criar uma experiência do usuário realmente boa e algo que é assustador.”

‘Riscos devem ser apresentados juntos com benefícios’

Temores relativos à vigilância da internet aumentaram durante os últimos dois anos após o prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden divulgou documentos que revelam que os programas de combate a terrorismo do governo norte-americano incluíram minerar informações pessoais coletadas por uma variedade de companhias de tecnologia.

O Centro de Informação de Privacidade Eletrônica, um grupo de fiscalização, quer que a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) estabeleça padrões de segurança e limitações estritas no armazenamento e uso de informações pessoais coletadas por meio de microfones e câmeras conectados à internet.

“Nós acreditamos que é enganoso apresentar apenas as conveniências potenciais dessa tecnologia sem também apresentar o grande número de possíveis prejuízos”, diz Julia Horwitz, diretora do projeto de privacidade do centro.

A FTC acredita que companhias que vendem dispositivos e apps conectados à internet deveriam coletar o mínimo de informação pessoal possível e rapidamente deletá-la uma vez que o dado tenha servido ao seu propósito, diz Kristen Anderson, uma advogada da divisão de privacidade e proteção da identidade da comissão.

A Amazon.com diz que os utilizadores do Echo não precisam se preocupar com o risco de o dispositivo espioná-los. Como garantia, segundo a empresa, o microfone está programado para começar a funcionar apenas após apertado um botão ou o uso de uma determinada palavra, como Alexa, o nome do software do dispositivo.

Uma luz azul  também se acende quando o Echo está gravando e se mantém ligada enquanto ele ouve. Usuários podem, ainda, escolher um som para alertá-los quando o Echo estiver gravando. A Amazon ressalta que  o equipamento também permite aos usuários rever suas gravações e deletá-las, embora a companhia alerte que o dispostivo possa não funcionar direito sem acesso ao histórico de áudio.

O Echo até agora tem recebido apenas avaliações positivas. O equipamento teve uma avaliação de cinco ou quatro estrelas de quase 90% dos cerca de 23 mil comentários postados no Amazon.com.

Gravação começa sem pedido

Apesar do que diz a companhia, Steven Combs notou que a luz azul do Echo ilumina em alguns momentos nos quais não lhe foi solicitado nada, durante os seis meses em que testou o equipamento em sua casa na cidade de Columbos, no Estado de Indiana. Mas Combs diz que nunca se temeu estar sendo espiado.

“Algúem teria de ter um interesse real em mim, e não acho que eu sou interessante a ponto de alguém vir atrás de meus dados”, diz Combs, presidente de um colégio comunitário.

Michael Feldman, de 61 anos, começou a se preocupar sobre as capacidades de espionagem do Echo nas primeiras semanas após  instalar o dispostivo em sua casa em Huntington Woods, no Estado de Michigan.

Feldman teme a possibilidade de que agências do governo usem o Echo ou equipamentos similares para espionar, apesar de essa preocupação não ter o levado a desligar o microfone do dispositivo.

“Depois de você viver tempo o bastante, você percebe que as pessoas vão tentar levar tecnologia de espionagem para dentro de casa se acreditaram que é algo bacana”, diz Feldman.

Agradecemos ao Paulo Sollo, colaborador amigo do seu micro seguro, pela referência a essa notícia.

Fonte: Tecnologia IG

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: