Cibercrime se organiza como negócio no Brasil

cibercriminososO cenário do cibercrime no Brasil, em comparação com outros países da América Latina, é único, com uma imensa variedade de códigos malicioso e atacantes. A diversidade de golpes, a maneira como são aplicados às vítimas e a forma como são disseminados online entre novos hackers desafia leis e as empresas de segurança digital que atuam no país.

Sem muita cerimônia, em domínios abertos ao acesso de qualquer usuário — ou seja, na web tradicional — vendem-se dados roubados como logins e senhas, informações bancárias, além de pacotes completos que transformam os curiosos mais dedicados em novos hackers. Uma modalidade polêmica, porém, de destaca na região: o vírus como serviço. Há verdadeiras teias de suporte para quem tem dúvidas na hora de praticar um crime virtual com algum dos produtos adquiridos facilmente em “lojas online” de códigos.

Quem detalha o lado nem tão oculto do cibercrime organizado no Brasil é Matías Porolli, analista de malware da ESET, que há dois anos investiga a propagação de crimes virtuais no país. Segundo o pesquisador, a ameaça número um no país é o trojan bancário. Entretanto, no top 10 de ameaças locais, há várias plataformas e linguagens de programação diferentes — o que mostra a versatilidade do brasileiro para aplicar golpes.

“O que vemos no Brasil é um cenário único dentro da América Latina. No Brasil, além dos dados dos usuários vendidos no mercado negro [aqueles adquiridos por meio de golpes de phishing como dados bancários, logins e senhas], você também vê a venda de cursos e pacotes de como praticar crimes digitais”, conta Porolli, que mostra alguns dos anúncios.

Malware como serviço

Além do malware como serviço, na Internet é fácil encontrar kits de máquinas completas para clonagem de cartões de crédito, tutoriais com o passo a passo em português sobre como virar um criminoso digital incluindo desde os trâmites financeiros que precisam ser camuflados ou migrados para Bitcoin como também os códigos maliciosos necessários. Conforme os anúncios, é possível iniciar o “negócio” sozinho, “tudo online”, e ter “ganhos reais” e pré-estimados para fazer “valer o investimento”, com retorno financeiro garantido.

“É uma atividade totalmente ilegal, mas muito fácil de encontrar na Internet. Não se vê tanto isso em outros países da América Latina”, compara. O cenário da Europa é bem similar.

Ainda segundo Porolli, pode-se dizer que temos cibercrime organizado, que compartilha dicas, problemas e procura soluções que salvem o grupo e seus aliados. A atuação de hackers no Brasil ficou ainda mais complexo quando, nos últimos anos, os brasileiros se uniram a criminosos na Rússia, atuando como sócios em troca de participação.

“É um trabalho de cooperação. Os russos têm os softwares, compartilham com os brasileiros, para tradução em português, em troca de percentuais do golpe”, explicou.

Agradecemos ao Davi, colaborador amigo do seu micro seguro, pela referência a essa notícia.

Fonte: Techtudo

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