Novidade: extensão do Chrome para navegação segura

O Google lançou nos últimos dias na Chrome Web Store a extensão Suspicious Site Reporter, que busca facilitar, em poucos cliques, a denúncia de sites suspeitos.

“A navegação segura do Google ajuda a proteger contra ameaças como phishing e malwares, exibindo avisos aos usuários quando eles tentam navegar em sites suspeitos ou fazer download de arquivos perigosos”, explicou o Google.

A aplicação mostra um ícone de uma bandeira que muda de cor quando o usuário está navegando em um possível site malicioso, além de informações mais detalhadas sobre a página. Caso o usuário perceba algo estranho ele pode denunciar a página ao Google. É possível também acessar o relatório completo após a efetivação da denúncia.

No entanto, são considerados sites suspeitos qualquer site que não esteja no top 5000 do Google. O processo da denúncia é simples, a extensão tem opções de incluir screenshots e o conteúdo DOM do site (HTML completo da página incluindo imagens).

Outro ponto importante da nova ferramenta é que ela bloqueia o acesso a qualquer site que considera suspeito, sendo necessário a autorização do usuário para acessar.

Fonte: itmidia

Os riscos associados aos dispositivos USB

Dispositivos USB são a principal fonte de malware para sistemas de controle industrial, disse Luca Bongiorni da Bentley Systems durante sua palestra na #TheSAS2019. A maioria das pessoas envolvidas de alguma maneira com segurança já ouviram os contos clássicos sobre pendrives que caíram “acidentalmente” em estacionamentos – uma história comum sobre segurança que é ilustrativa demais para não ser recontada diversas vezes.

Outra história – real – sobre pendrives USB envolvia um funcionário de uma unidade industrial que queria assistir La La Land e decidiu baixar o filme em um pendrive durante o almoço. Assim começa a narrativa sobre como um sistema isolado de uma usina nuclear foi infectado – é um relato muito familiar sobre uma infecção de infraestrutura crítica extremamente evitável.
No entanto, as pessoas tendem a esquecer que dispositivos USB não estão limitados a pendrives. Dispositivos de interface humana (Human Interface Devices – HIDs) como teclados e mouses, cabos para carregar smartphones, e até mesmo objetos como globos de plasma e canecas térmicas, podem ser manipulados com a finalidade de atingir sistemas de controle industrial.

Uma pequena história sobre armas USB

Apesar do esquecimento das pessoas, os dispositivos USB manipulados não são uma novidade. Os primeiros dispositivos desse tipo foram criados em 2010. Com base em uma pequena placa programável chamada Teensy e equipados com um conector USB, tornaram-se capazes de agir como HDIs, por exemplo, pressionando teclas em um PC. Os hackers rapidamente perceberam que dispositivos podiam ser usados para testes de penetração e inventaram uma versão programada para criar novos usuários, executar programas para criar backdoors e injetar malware – copiando ou baixando o vírus de um site específico.

A primeira versão modificada da Teensy foi chamada de PHUKD. Kautilya, que era compatível com as placas Arduino, mais populares, veio em seguida. E então Rubberducky – talvez a ferramenta USB de emulação de teclas mais conhecida, graças ao Mr. Robot, que imitava exatamente a movimentação média do dedo polegar. Um dispositivo mais poderoso chamado Bunny foi usado em ataques contra caixas eletrônicos.

O inventor do PHUKD rapidamente teve uma ideia e criou um mouse “trojanizado” com uma placa integrada de testes de penetração para que, além de funcionar como um mouse normal, pudesse fazer tudo que o PHUKD é capaz de fazer. De uma perspectiva de engenharia social, usar HIDs verdadeiros para penetrar sistemas pode ser ainda mais fácil do que usar pendrives USB com o mesmo propósito, já que até mesmo as pessoas com conhecimento suficiente para saber que não se deve inserir um dispositivo desconhecido em seu computador geralmente não se preocupam com teclados ou mouses.

A segunda geração de dispositivos USB manipulados foi criada durante os anos de 2014 e 2015 e incluía os famigerados dispositivos BadUSB. O TURNIPSCHOOL e o Cottonmouth, supostamente desenvolvidos pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), também merecem ser mencionados: eram dispositivos tão pequenos que podiam ser colocados dentro de um cabo USB e usados para extrair dados de computadores (incluindo computadores desconectados de qualquer rede). Apenas um simples cabo – nada que preocupe alguém, certo?

O estado moderno dos dispositivos USB manipulados

A terceira geração de ferramentas USB de testes de penetração acaba por atingir um outro nível. Uma dessas ferramentas é o WHID Injector, basicamente um Rubberducky com uma conexão WiFi. Dessa forma, não precisa ser programada inicialmente com tudo que deve fazer; um hacker pode controlar a ferramenta remotamente, o que oferece mais flexibilidade além da habilidade de trabalhar com diferentes sistemas operacionais. Outra invenção da nova geração é a P4wnP1, baseada no Raspberry Pi e que é como o Bash Bunny com algumas funcionalidades adicionais, incluindo conectividade wireless.

E, é claro, tanto o WHID Injector quanto o Bash Bunny são suficientemente pequenos para serem inseridos em um teclado ou mouse. Esse vídeo mostra um laptop que não está conectado a nenhuma rede por USB, Ethernet ou WiFi, mas possui um teclado “trojanizado” que permite que um criminoso execute comandos e programas remotamente.

Dispositivos USB pequenos como os mencionados acima podem até mesmo ser programados para parecerem um modelo específico de HID, o que permite que desviem de políticas de segurança de empresas que aceitam mouses e teclados apenas de fornecedores específicos. Ferramentas como o WHID Injector também podem ser equipadas com um microfone para estabelecer vigilância por áudio e espionar pessoas em uma empresa. Pior ainda, apenas um destes dispositivos é capaz de comprometer toda a rede – a não ser que esteja adequadamente segmentada.

Como proteger sistemas contra dispositivos USB manipulados

  • Teclados e mouses “trojanizados”, além de vigilância ou cabos maliciosos, são ameaças sérias que podem ser usadas para comprometer até mesmo sistemas isolados. Hoje em dia, as ferramentas usadas nestes tipos de ataques podem ser compradas por preços baratos e programadas sem qualquer habilidade de programação, de forma que precisam estar no seu radar. Para proteger infraestruturas críticas contra essas ameaças utilize uma abordagem multicamadas.
  • Garanta a segurança física primeiro, para que pessoas não-autorizadas não possam conectar dispositivos USB aleatórios a sistemas de controle industrial. Além disso, bloqueie fisicamente portas USB não-utilizadas nesses sistemas e evite a remoção de HIDs que já estão conectados.
  • Treine funcionários para que conheçam os diferentes tipos de ameaça, inclusive dispositivos USB manipulados (como o do incidente La La Land).
  • Segmente a rede adequadamente e gerencie os direitos de acesso para evitar que criminosos alcancem sistemas usados para controlar a infraestrutura crítica.

Proteja todos os sistemas da unidade com soluções de segurança capazes de detectar todos os tipos de ameaça.

Fonte: Kaspersky

Clonagem de celular – ameaça ronda usuários brasileiros

O SIM swap, conhecido popularmente como “clonagem dos chips do celular”, é uma fraude que está sendo amplamente utilizada por cibercriminosos no País. Essa técnica é um recurso legítimo e utilizado quando um smartphone é perdido ou roubado, e permite ao dono da linha ativar o número em outro chip. Os golpistas, porém, estão constantemente enganando as operadoras de celular para fazer a portabilidade do número do dispositivo roubado para um novo chip. Uma investigação conjunta, entre a Kaspersky Lab e o CERT de Moçambique, descobriu que esse tipo de ataque é muito comum também no mundo todo, sendo usado pelos cibercriminosos não apenas para roubar credenciais e capturar senhas de uso único (OTPs) enviadas por SMS, mas também para roubar dinheiro das vítimas.
Os pagamentos móveis tornaram-se muito populares, especialmente em mercados emergentes, como África e América Latina, onde os consumidores podem facilmente depositar, sacar e pagar bens e serviços usando seus dispositivos móveis. Porém, eles também estão sendo alvos de uma onda de ataques, e as pessoas estão perdendo dinheiro em fraudes de clonagem de chips em grande escala.

Como funciona o golpe

O golpe começa com a coleta de dados das vítimas por meio de e-mails de phishing, engenharia social, vazamentos de dados ou até pela compra de informações de grupos criminosos organizados. Depois de obter os dados necessários, o cibercriminoso entra em contato com a operadora móvel, passando-se pela vítima, para que faça a portabilidade e ative o número do telefone no chip do fraudador. Quando isso acontece, o telefone da vítima perde a conexão (voz e dados) e o fraudador recebe todos os SMSs e chamadas de voz destinados à vítima. Assim, todos os serviços que dependem da autenticação de dois fatores ficam vulneráveis.

Para se ter uma ideia, somente no Brasil um grupo organizado de cibercriminosos conseguiu clonar o chip de 5 mil vítimas, envolvendo não apenas pessoas comuns, mas também políticos, ministros, governadores, celebridades e empresários famosos. Em Moçambique um golpe causou prejuízo de US$ 50 mil a um empresário, roubados de suas contas bancárias, já no Brasil foram identificadas diversas fraudes de R$ 10 mil cada. Porém, é difícil estimar o impacto total desse tipo de ataque na América Latina, África e no mundo, pois a maioria dos bancos não divulga as estatísticas publicamente.

Na África, o maior banco de Moçambique registrou uma média mensal de 17,2 casos de fraude por clonagem de chips. Tal situação levou bancos e operadoras no país a adotar uma solução simples, porém eficaz no combate à fraude. Eles desenvolveram um sistema integrado de consulta em tempo real que possibilitou zerar os casos de fraude no país.

A investigação também mostrou que, em alguns casos, o alvo pretendido é a própria operadora de celular. Isso acontece quando funcionários da operadora não conseguem identificar um documento fraudulento e permitem que o fraudador ative um novo chip. Outro grande problema são os funcionários corruptos, recrutados pelos cibercriminosos, que pagam de 40 a 150 reais por chip ativado. No entanto, o pior tipo de ataque ocorre quando um cibercriminoso envia um e-mail de phishing com o objetivo de roubar as credenciais do funcionário para ter acesso direto ao sistema da operadora. Quando isso acontece, o cibercriminoso consegue realizar um ataque em duas ou três horas sem muito esforço.

“O interesse dos cibercriminosos nas fraudes de SIM swap é tão grande que alguns até vendem este serviço para outros criminosos. Os fraudadores atiram em todas as direções; os ataques podem ser direcionados ou não, mas qualquer pessoa pode ser vítima. Tudo o que o criminoso precisa é do número do celular, que pode ser obtido facilmente pesquisando vazamentos de bancos de dados, comprando bancos de dados de empresas de marketing ou usando aplicativos que oferecem serviços de bloqueio de spam e identificação do chamador. Na maioria dos casos, é possível descobrir o número do seu celular com uma simples busca no Google”, explica Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab e corresponsável pela pesquisa.

WhatsApp e fintechs

A técnica de clonagem de chips também gerou um novo tipo de ataque conhecido como ‘clonagem do WhatsApp’. Neste caso, depois da ativação do chip no celular do criminoso, ele carrega o WhatsApp para restaurar os chats e contatos da vítima no aplicativo. Então, manda mensagens para os contatos como se fosse a vítima, falando de uma emergência e pedindo dinheiro. Alguns dos ataques atingiram empresas depois que cibercriminosos conseguiram sequestrar o celular de um executivo e usaram a clonagem do WhatsApp para solicitar recursos do departamento financeiro da empresa. O golpe é semelhante ao comprometimento de e-mails corporativos (BEC), mas usando contas do WhatsApp.

De maneira semelhante, os cibercriminosos passaram a usar esta técnica para burlar os avanços no setor financeiro, incluindo de fintechs populares e assim esvaziar as contas bancárias das vítimas. Como a maioria dos aplicativos financeiros ainda depende da autenticação de dois fatores, os cibercriminosos conseguem usar a função de recuperação de senha do aplicativo para receber um código SMS e, assim, ter total controle sobre a conta do usuário e efetuar pagamentos ilegais usando o cartão de crédito registrado no aplicativo.

“Embora não haja uma solução milagrosa, a extinção da autenticação de dois fatores via SMS é o melhor caminho a seguir. Isso é particularmente verdadeiro quando falamos de Internet Banking. Quando os serviços financeiros pararem de usar esse tipo de autenticação, os golpistas irão focar em outras coisas, como redes sociais, serviços de e-mail e mensageiros instantâneos para continuar roubando”, conclui Assolini.

Como não ser vítima:

  • Quando possível, os usuários devem evitar usar a autenticação de dois fatores via SMS, optando por outros métodos, como a geração de uma autenticação única (OTP) via aplicativo móvel (como o Google Authenticator) ou o uso de um token físico. Infelizmente, alguns serviços online não apresentam alternativas. Nesse caso, o usuário precisa estar ciente dos riscos.
  • Quando é solicitada a troca do chip, as operadoras devem implementar uma mensagem automatizada que é enviada para o número do celular, alertando o proprietário de que houve uma solicitação de troca do chip e, caso ela não seja autorizada, o assinante deve entrar em contato com uma linha direta para fraudes. Isso não impedirá os sequestros, mas avisará o assinante para que ele possa responder o mais rápido possível em caso de atividades maliciosas. Caso a operadora não ofereça esse tipo de serviço, o usuário deve entrar em contato solicitando um posicionamento a respeito.
  • Para evitar o sequestro do WhatsApp, os usuários devem ativar a dupla autenticação (2FA) usando um PIN de seis dígitos no dispositivo, pois isso adiciona uma camada extra de segurança que não é tão fácil de burlar.
  • Solicite que seu número seja retirado das listas de IDs de aplicativos que identificam chamadas; eles podem ser usados por golpistas para encontrar seu número a partir do seu nome.
Fonte: Kaspersky

Malware de mineração de criptomoeda ainda permanece como ameaça

malwareEmbora os serviços de mineração de criptomoeda, como o Coinhive, tenham encerrado no último mês de março, os criptomineradores ainda são os malwares mais predominantes nas organizações em todo o mundo, segundo o Índice Global de Ameaças referente ao mês de março de 2019, da Check Point Research.

Segundo pesquisadores da companhia, é a primeira vez desde dezembro de 2017 que o Coinhive caiu da primeira posição, mas, apesar de ter operado apenas oito dias em março, ainda era o sexto malware mais comum a afetar as companhias durante o mês. No seu auge, o Coinhive impactou 23% das organizações em todo o mundo.

Atualmente, muitos sites ainda possuem o código JavaScriptCoinhive e, mesmo sem atividade de mineração, os pesquisadores da Check Point avisam que o Coinhive pode ser reativado se o valor do Monero (criptomoeda de código aberto) aumentar. A expectativa é que outros serviços de mineração também aumentem a sua atividade para aproveitar a ausência do Coinhive.

De acordo com Maya Horowitz, diretora de Inteligência de Ameaças e Pesquisa da Check Point, “com os valores de criptomoedas caindo em geral desde 2018, veremos mais criptomineradores para navegadores seguindo os passos do Coinhive e cessando a operação”.

“No entanto, suspeito que os criminosos virtuais encontrarão formas de ganhar com atividades de criptomineração mais robustas, utilizando ambientes em nuvem para mineração. Vimos organizações pagando centenas de milhares de dólares a seus provedores de serviços em nuvem pelos recursos de computação usados ​​ilicitamente pelos criptomineradores. Esta é uma chamada de ação para as organizações protegerem seus ambientes de nuvem”, reforça Maya.

Fonte: itmidia

Método russo à serviço dos cibercriminosos brasileiros

cibercrimeNão é novidade que os cibercriminosos brasileiros tentam, constantemente, novas formas para enganar os usuários – mas não é sempre que criam novas técnicas. A Kaspersky Lab identificou uma campanha de malware bancário utilizando o método BOM para confundir scanners de e-mail e infectar as vítimas – esta é a primeira vez que a técnica é utilizada no País e tem como alvo correntistas brasileiros e chilenos. Os usuários dos produtos da companhia estão protegidos deste ataque.

Técnica de 2013

Criados por criminosos russos para distribuir malware de sistemas Windows, essa técnica foi descoberta em 2013 e consiste em adicionar o prefixo BOM (Byte Order Mark) para evitar a detecção. Campanhas de malware bancários dependem das famosas mensagens de phishing para aumentar o número de vítimas. O desafio dos criminosos russos era confundir os scanners de e-mail, então criaram um arquivo .ZIP com cabeçalho modificado para conseguir entregar as mensagens maliciosas nas caixas de correio dos usuários.malware zipadoAo tentar abrir o arquivo compactado utilizando o visualizador padrão do Windows Explorer, o usuário vê uma mensagem de erro, dizendo que está corrompido. Ao analisá-lo, os especialistas da Kaspersky perceberam que o cabeçalho do ZIP contém três bytes extras (0xEFBBBF), que representam o (BOM), antes da assinatura “PK” (0x504B), que é o padrão do ZIP. Já o BOM é encontrado normalmente em arquivos de texto com codificação UTF-8. O ponto é que algumas ferramentas não irão reconhecer este arquivo como um ZIP -elas o lerão como um arquivo de texto e não conseguirão abri-lo.

Entretanto, programas como WinRAR e 7-Zip simplesmente ignoram o prefixo e irão extrair seu conteúdo corretamente. Uma vez que o usuário faça isso, será infectado. Quando isso acontece, o malware atuará como ponte para baixar o malware principal.malwareApós uma sequência de processos que visam evitar a detecção das ações maliciosas, é baixado o malware principal: variantes do malware Banking RAT que fica inoperante na máquina da vítima até que esta tente acessar seu Internet banking. Neste momento, ele começa a capturar tokens, código de acesso, data de aniversário, senha de acesso, entre outras formas de autenticação bancária.
“Identificamos atividades da campanha maliciosas usando o método BOM contra correntistas brasileiros e chilenos. Tecnicamente, é engenhosa e, por isso, é ingênuo esperar que com seis anos desde seu descobrimento não será efetiva. Usuários que contam com uma solução de segurança não correm muitos riscos, porém quem não tem nenhuma proteção está vulnerável”, afirma Thiago Marques, analista de segurança da Kaspersky Lab.

Todos os produtos da companhia estão aptos a extrair e analisar arquivos comprimidos contendo Byte Order Mark, além de já identificarem e bloquearem o malware usado neste golpe.

Mais informações sobre a ataque estão disponíveis no Securelist.com.

Fonte: Kaspersky

A nova modalidade de ataque ao seu dinheiro dos cibercriminosos

cibercriminosoAutenticação de dois fatores (2FA na sigla em inglês) é um método utilizado amplamente por instituições financeiras ao redor do mundo que objetiva manter o dinheiro de clientes seguro: sabe, aqueles códigos de 4 a 6 dígitos que você recebe do banco e precisa digitar para aprovar uma transação. Usualmente, bancos enviam esses códigos de SMS por mensagens de texto. Infelizmente, SMS é uma das formas mais frágeis de implementar 2FA, pois são interceptáveis. Foi exatamente isso que ocorreu no Reino Unido.

Como os criminosos colocam as mãos nas mensagens de texto? Bem, há formas diferentes, e uma das mais extravagantes é por meio da falha de segurança SS7, um protocolo usado por empresas de telecomunicações para coordenar como direcionam mensagens e chamadas. A rede SS7 não se importa com quem enviou o pedido. Caso criminosos consigam acessá-la, a rede seguirá seus comandos de redirecionamento de mensagens e chamadas como se fossem legítimos.

O esquema segue assim: os cibercriminosos primeiro obtêm a senha e usuário do internet banking – seja por phishing, keyloggers ou Banking Trojans. A partir daí, entram na conta e realizam a transferência. Hoje, a maioria dos bancos pediria uma confirmação adicional para essa operação e enviaria um código de verificação ao usuário da conta. Se o banco faz isso por meio de mensagens de texto, é aí que os malfeitores se valem da vulnerabilidade SS7: interceptam o texto e usam o código, como se estivessem com seu telefone. As instituições financeiras, por sua vez, aceitam a transação como legítima, pois foi autorizada duas vezes: uma pela senha, e outra com o código de uso único. E assim, o dinheiro vai para o criminoso.

Os bancos do Reino Unido confirmaram ao Motherboard que alguns de seus clientes foram vítimas desse tipo de fraude. Em 2017, o Süddeutsche Zeitung reportou que bancos alemães também passaram pelo mesmo problema.

Há também boas notícias. Como a própria Metro Bank comenta, um número mínimo de clientes passaram por isso e “nenhum deles saiu no prejuízo”.

A situação como um todo poderia ser evitada se os bancos utilizassem outras formas de 2FA que não se valessem de mensagens de texto (como por exemplo, um aplicativo de autenticações ou, digamos uma autenticação pautada em hardware como o Yubikey). Infelizmente, no momento, as instituições financeiras (com raras exceções) não permitem outras formas de autenticação de dois fatores que não SMS. Esperemos que em futuro próximo mais bancos mundialmente ofereçam alternativas aos clientes no que concerne sua proteção.

Portanto, a lição dessa história é a seguinte:

  • É bom usar autenticação de dois fatores sempre possível, mas melhor ainda é utilizar um método que envolva aplicativos de autenticação ou Yubikeys. Experimente esses como alternativa ao SMS.
  • Use uma solução de antivírus confiável para manter os Banking Trojans e keyloggers longe de seu sistema – de forma que não possam roubar suas credenciais de acesso, e você nem precise se preocupar em situações como essa.
Fonte: Kaspersky

Riscos à segurança dos e-mails de resposta automática

Antes de férias ou viagens de negócio, muitos funcionários configuram respostas automáticas de ausência no e-mail para que clientes e colegas saibam quem contatar em sua ausência. Normalmente, essas mensagens incluem a duração da viagem, informações de contato da pessoa que responsável pela substituição, e às vezes dados sobre projetos atuais.

Respostas automáticas podem parecer inofensivas, porém podem representar um risco corporativo. Se um colaborador não restringe a lista de destinatários, esse tipo de e-mail irá para qualquer pessoa que lhe direcione uma mensagem – e esse poderia ser um cibercriminoso ou spammers que conseguiu passar pelos filtros. A informação sobre a ausência poderia ser suficiente para a viabilização de um ataque direcionado.

Uma linha, um problemão

Nesse caso de spammers, a resposta automática permite saber que o endereço de e-mail é válido e pertence a uma pessoa específica. Informa-os do primeiro e último nome da pessoa, bem como seu cargo. A assinatura, às vezes, ainda contém um número de telefone;

Spammers normalmente lançam mensagens a endereços de uma base de dados gigantesca, que gradualmente se torna desatualizada e menos efetiva. Entretanto, quando uma pessoa real é detectada no outro lado da linha, os cibercriminosos a marcam como alvo viável e começam a mandar e-mails com mais frequência. Podem até ligar. Mas isso não é o pior.

Se a mensagem automática é enviada a um e-mail de phishing, a informação que fornece sobre o colaborador substituto, o que pode incluir nome, cargo, horário de trabalho e até telefone, pode ser usada para organizar um ataque de spear-phishing. O problema não afeta apenas grandes empresas. Na verdade, respostas automáticas são alvos fáceis, oferecem um tesouro de dados para engenharia social de diversos propósitos.

O que os cibercriminosos podem fazer

Imagine que o Pedro sai de férias, deixando informações muito detalhadas de contato na resposta automática. Por exemplo: estarei fora do escritório até 27 de março. Para questões relacionadas ao Projeto Camomile, por favor, entre em contato com a Tatiana (e-mail e telefone). O redesign Medusa está sob a responsabilidade do André (e-mail e telefone).

Agora, André recebe uma mensagem que parece ser do diretor da Medusa LLC. Referindo-se a uma discussão anterior com Pedro, o cibercriminoso pede a André que avalie uma proposta de interface anterior. Nessa situação, André provavelmente abrirá o anexo no e-mail, colocando seu computador sob risco de infecção.

Além disso, cibercriminosos podem conseguir informações confidenciais por uma troca de e-mail, referindo-se a um colaborador ausente e seu suposto trabalho anterior juntos. Quanto mais sabem sobre a empresa, mais convincentes serão, tornando o substituto mais suscetível a repassar documentos internos e segredos comerciais.

O que fazer

Para prevenir dores de cabeça relacionadas às respostas automáticas, uma política sensível sobre mensagens de ausência é necessária:

  • Determine quais colaboradores realmente precisam delas. Se um funcionário lida com poucos clientes, pode notificá-los diretamente de sua ausência, seja por e-mail ou telefonema;
  • Para colaboradores cujas tarefas estão sendo cobertas por apenas uma pessoa, faz sentido utilizar redirecionamentos. Claro, nem sempre é conveniente, mas garante que mensagens importantes não sejam perdidas;
  • Recomenda-se que colaboradores criem duas opções de resposta automática – uma para endereços internos e outra para externos. Informações mais detalhadas aos colegas, enquanto, as pessoas de fora devem saber o mínimo possível;
  • Se um colaboradores corresponde-se com colegas apenas, elimine a ideia de respostas automáticas para endereços externos.
    Em qualquer caso, aconselhe funcionários quanto ao fato de que essas mensagens não devem possuir informações supérfluas;
  • Nomes de linhas de produtos ou clientes, número de telefones de colegas, informações sobre onde e quando colaboradores estarão de férias, e outros detalhes do tipo;
  • No servidor de e-mail, use uma solução de segurança que detecta automaticamente spam e tentativas de phishing, e verifica anexos em busca de malware ao mesmo tempo.
Fonte: Kaspersky