Netshoes recomendada a avisar clientes sobre vazamento gigante de dados

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou, na última quinta-feira, 25/01, que o site de compras Netshoes, especializado em artigos esportivos, avise, por telefone ou correspondência, 1.999.704 milhões de clientes a respeito de um vazamento de dados, ocorrido a partir de uma falha de segurança na empresa. No pedido, o promotor Frederico Meinberg diz se tratar de “um dos maiores incidentes de segurança já registrados no Brasil”.

Segundo o MPDFT, a brecha, revelada no início deste mês, fez com que informações pessoais como nome, CPF, e-mail, data de nascimento e histórico de compras fossem revelados a hackers – o órgão recomendou ainda que a empresa não faça nenhum tipo de pagamento aos cibercriminosos que causaram a falha de segurança.

De acordo com Meinberg, a atuação é necessária, “diante da gravidade dos fatos, do risco de prejuízos graves aos consumidores e da quantidade de titulares dos dados pessoais afetados”, destacou. Para o pesquisador em telecomunicações do Instituto Brasileira de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Zanatta, o caso é inédito no Brasil – isso porque, como o País não tem uma lei específica de proteção de dados pessoais, nem uma autoridade independente responsável por supervisionar a questão por aqui, o Ministério Público do Distrito Federal assumiu tal responsabilidade.

Entre os usuários afetados, diz o pedido do MPDFT, há contas de emails de servidores públicos, como da Presidência da República, do Supremo Tribunal Federal, da Polícia Federal e Advocacia-Geral da União. “Isso abre espaço para um potencial de dano enorme. Muita gente no Brasil usa a mesma senha para diversas contas. Com esse vazamento, pode se comprometer não só informações pessoais, mas também habilitar o acesso a emails institucionais de assuntos sensíveis do País”, avalia Zanatta.

O MPDFT deu à Netshoes o prazo de três dias úteis para avisar os quase 2 milhões de consumidores sobre o vazamento dos dados. Segundo o pedido, a comunicação só será considerada válida com confirmação de recebimento dos usuários. Caso isso não aconteça, a empresa poderá ser acionada na Justiça por danos morais e materiais causados aos consumidores.

Procurada pelo Estado, a Netshoes respondeu que está “em contato com o Ministério Público a fim de avaliar as medidas cabíveis ao caso dentro do prazo estabelecido”. A empresa disse ainda que “tem a proteção de dados como um de seus mais sólidos compromissos e que, desde o princípio, envolve órgãos competentes neste caso para a mais breve apuração, esclarecimento e solução do ocorrido com total transparência”.

Para o pesquisador do Idec, os usuários devem pressionar a empresa para tomar as atitudes necessárias e mitigar os danos. “Como não existe regra clara na lei sobre o que deve acontecer em um incidente de segurança, as empresas só respondem quando há pressão popular ou das autoridades.”

No ano passado, a Netshoes abriu capital na Bolsa de Nova York – neste momento, as ações da empresa operam com forte alta de 5% no mercado norte-americano.

Fonte: Estadão

WhatsApp é alvo de bloqueio no Brasil por 48 h

whatsapp_issueLogo após a decisão da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo de enviar uma ordem judicial às operadoras de telefonia móvel pedindo o bloqueio do aplicativo WhatsApp em todo o Brasil por dois dias inteiros, o site Gizmodo afirma ter colocado as mãos no mesmo documento que foi enviado para as operadoras, revelando, então, o verdadeiro motivo pelo qual o pedido de bloqueio foi feito.

De acordo com o documento, o bloqueio do WhatsApp aqui no Brasil tem relação com uma investigação criminal em São Bernardo do Campo onde o serviço de mensagens não quebrou o sigilo da sua rede para fornecer informações privilegiadas. A origem do documento vem do Grupo de Combate às Facções Criminosas (GCF).

O documento também reforça o período de tempo de 48 horas determinado para que o bloqueio seja instaurado, sendo ele iniciado a partir das 0h de hoje, dia 17/12, voltando a funcionar apenas na madrugada de sexta-feira para sábado.

Segundo a ordem, as operadoras devem bloquear o acesso a domínios e subdomínios do WhatsApp e que elas também façam o que “for necessário para a suspensão do tráfego de informações, coleta, armazenamento, guarda e tratamento de registro de dados pessoais ou de comunicações entre usuários da rede”.

O documento não revela, porém, o teor do crime que levou o processo à frente. Paulo Rená, chefe de pesquisa do Instituto Beta para internet e democracia, afirma que o bloqueio pode ter sido levado para frente por causa de conteúdos compartilhados, tais como pornografia infantil, tráfico de drogas ou até mesmo denúncias sobre corrupção.

A medida, que certamente prejudicará milhões de usuários, será acatada pelas operadoras, ainda que elas sejam contra. O Tribunal de Justiça de São Paulo disse, em nota, que a decisão foi tomada porque o WhatsApp não atendeu uma determinação judicial de julho e nem a notificação enviada no mês seguinte.

Opinião do seu micro seguro: um litígio judicial resultar no prejuízo de milhões de brasileiros não envolvidos na questão é mais um dos muitos absurdos a que nós que moramos em terras brasileiras temos de encarar. Além do caos econômico e político atuais que o Brasil hora enfrenta, do aumento expressivo dos impostos (inclusive de computadores, tablets e smartphones) os brasileiros acordaram hoje sem o acesso ao WhatsApp que para uma boa parte da população é ferramenta de trabalho que possibilita o contato com clientes e fornecedores. Esse bloqueio pode ser contornado através do uso de VPN ou da adoção de um aplicativo similar como o Telegram que nas últimas horas vem se esforçando para poder dar conta dos milhares e milhares de novas solicitações de brasileiros.

Fontes: Gizmodo e Tudo celular